

Teste de Software


Automação
"Testes automatizados não se resumem a apenas “clicar no play”. Para que sejam efetivos, exigem investimento significativo em infraestrutura, servidores robustos, capacitação técnica, ferramentas (com ou sem licenciamento), além de manutenção constante para garantir compatibilidade com os sistemas da empresa.
Automatizar testes exige escopo claro, estabilidade do sistema e propósito definido. Não faz sentido desenvolver scripts para cenários altamente condicionais, instáveis ou com exceções específicas — nesses casos, o esforço muitas vezes não se justifica. Além disso, testes automatizados não substituem os testes manuais, especialmente quando falamos de percepção, contexto e expectativa do cliente, algo que somente o olhar humano é capaz de avaliar.
A verdade é simples: um tipo de teste não anula o outro. Pelo contrário — eles se complementam. Saber quando aplicar cada abordagem é parte do papel estratégico de quem trabalha com qualidade de software." Teste de Software - Testes Manuais. Soares, Ana Paula Costa. Edição Revisada, 2025.
A automação de um software envolve a criação de scripts ou programas que executam tarefas de forma automatizada, muitas vezes, para melhorar a eficiência, reduzir erros humanos e economizar tempo.
Automatizar testes antes da validação manual e de o software estar minimamente estável é um tiro no pé — tanto em custo quanto em tempo perdido. Essa abordagem ignora princípios bem estabelecidos em QA e Engenharia de Software.
A área de Qualidade tem Princípios consolidados que precisam ser seguidos para que obtenhamos os melhores resultados com os testes, e um deles é ter estabilidade no software antes de iniciar a automação.
Teste Manual Precede a Automação
“Automação de testes não é descoberta de bugs. Ela valida comportamentos esperados já conhecidos. Ou seja: precisa de base manual testada.” Lisa Crispin & Janet Gregory, Agile Testing
Agile Testing – Lisa Crispin & Janet Gregory
“Don’t automate tests until the functionality is stable.” - Não automatize testes até que a funcionalidade esteja estável.
Fala muito sobre o valor da validação manual para entender as regras de negócio antes de investir em scripts que vão quebrar a cada mudança.
Continuous Delivery – Jez Humble & David Farley
Defende testes automatizados, mas só após as validações manuais e integração contínua minimamente estável.
Mostra os custos de manter automações frágeis em ambientes em mudança.
Testing Computer Software – Cem Kaner
Reflete sobre o erro comum de tentar automatizar antes de entender a complexidade dos fluxos. Destaca o papel exploratório do teste manual como base para scripts eficazes.
Exemplos de mercado
Spotify
Time de QA só automatiza depois de duas iterações com testes manuais rodando de forma estável.
“Não investimos em automatizar aquilo que ainda está mudando.”
ThoughtWorks - consultoria global de tecnologia focada em desenvolvimento de software, engenharia de dados e IA
Mantém o conceito de "Script Readiness": um requisito mínimo de estabilidade funcional, documentação e criticidade antes de qualquer investimento em automação.
Nubank (prática comum em fintechs)
Primeiro rodam as funcionalidades com beta testers e análise manual, depois passam para automação de regressivos (inclusive com Feature Toggles - também conhecidos como Feature Flags, são uma técnica de desenvolvimento de software que permite ativar ou desativar funcionalidades de um aplicativo dinamicamente, sem precisar fazer uma nova implantação de código.).
Automação testa previsibilidade, não descoberta – logo, precisa de base estável.
Automação em cima de código instável é desperdício de esforço - vira retrabalho.
Manual garante entendimento do fluxo e mapeamento de exceções – essencial antes de transformar isso em script.
É caro manter automações quebrando o tempo todo porque testamos algo que ainda muda.
O que diz o BSTQB?
O BSTQB®é o ponto de referência nacional para as certificações internacionais em Teste de Software (ISTQB®) e Engenharia de Requisitos (IREB®).
Conforme o material para Certificação CTFL, para profissionais da área de Teste, temos Benefícios e Riscos da Automação de Teste no Capítulo 6 do Syllabus:
“A simples aquisição de uma ferramenta não garante o sucesso. Cada nova ferramenta exigirá esforço para obter benefícios reais e duradouros (p. ex., para a introdução, manutenção e treinamento da ferramenta). Há também os riscos que precisam ser analisados e atenuados.
Automação Estratégica: O Caminho para a Eficiência e a Inovação
A automação deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade fundamental para qualquer empresa que busca escalabilidade e competitividade. No entanto, automatizar sem estratégia pode ser um erro custoso. É preciso entender o que, por que e quando automatizar.
O que é Automação e Para que Serve?
A Automação é o uso de tecnologia para executar tarefas ou processos com o mínimo de intervenção humana. Em essência, trata-se de delegar o trabalho repetitivo e previsível a sistemas e softwares.
Definição
A aplicação de sistemas e softwares para realizar tarefas repetitivas e baseadas em regras.
Propósito Central
Libertar recursos humanos de atividades mecânicas para que possam se concentrar em tarefas que exigem criatividade, análise crítica e tomada de decisão estratégica.
A automação serve, primariamente, para aumentar a eficiência, reduzir o erro humano e acelerar o ciclo de entrega (o famoso time-to-market). Ao eliminar a variabilidade inerente ao trabalho manual, garantimos a consistência e a confiabilidade dos processos.
Quando Automatizar: O Fator Estratégico
A decisão de automatizar não deve ser baseada apenas na possibilidade técnica, mas sim na correlação estratégica e no retorno sobre o investimento (ROI).
O que é ROI?
ROI vem de Return on Investment (Retorno sobre o Investimento).
É uma forma de medir o quanto de lucro ou economia você teve em relação ao que investiu.
No contexto de automação de testes, o ROI mostra se o esforço e o custo de automatizar estão realmente compensando — comparando o investimento (tempo, pessoas, ferramentas) com o retorno (tempo poupado, redução de falhas, entregas mais rápidas etc).
A fórmula é simples:
ROI = Ganho obtido − Custo do investimento / Custo do investimento. ×100
Exemplo prático de automação
Imagine que sua equipe gastou:
R$ 10.000,00 para automatizar testes (horas, ferramentas, setup).
E, após um período, percebeu que:
Os testes automatizados economizam R$ 25.000,00 em tempo de execução e retrabalho manual.
Então:
ROI = 25.000−10.000/ 10.000 × 100 =150%
Isso significa que cada real investido gerou R$ 1,50 de retorno.
Ou seja, vale a pena continuar automatizando.
Pra medir esse ganho, você pode considerar:
Tempo médio de execução manual x tempo automatizado;
Quantidade de execuções repetitivas eliminadas;
Redução de falhas em produção (custos evitados);
Tempo de entrega encurtado.
O que entra no cálculo
Custos:
-
Horas gastas para desenvolver e manter automação
-
Licenças e ferramentas de teste
-
Treinamentos e setup inicial
Ganhos:
-
Tempo economizado nas execuções
-
Redução de falhas e retrabalho
-
Menor tempo de entrega (time-to-market)
-
Menos custo de correção em produção
Tudo que mostra economia de tempo ou redução de erro, conta como retorno.
ROI mostra se a automação está gerando valor real — e não só agilidade.
A automação é mais indicada quando um processo atende a um ou mais dos seguintes critérios:
1 Alta Repetitividade: Tarefas que são executadas inúmeras vezes (ex: testes de regressão, geração de relatórios diários).
2 Alto Volume: Processos que lidam com grandes quantidades de dados ou transações (ex: processamento de folha de pagamento, validação de APIs).
3 Baixa Complexidade de Decisão: Tarefas que seguem regras claras e não exigem julgamento humano (ex: mover arquivos, preencher campos de formulário).
4 Alto Risco de Erro Humano: Processos críticos onde um pequeno erro pode gerar grande prejuízo financeiro ou legal (ex: cálculos fiscais, envio ao e-Social).
O que Deve ser Automatizado?
A automação deve ser direcionada para os pontos de maior impacto.
Automatizar Tudo? É como matar mosca com canhão. A automação deve ser estratégica e direcionada com fins objetivos.
O foco deve ser em processos que, quando automatizados, trazem o maior benefício para o negócio.
Testes de Regressão Críticos
Garantir que novas funcionalidades não quebrem o que já funciona. Essencial para manter a estabilidade do produto.
Integração e Entrega Contínua (CI/CD)
Acelerar o time-to-market e permitir que o código chegue ao cliente mais rápido, com menos risco.
Processos de Conformidade (Compliance)
Garantir que o sistema atende a regulamentações legais (como e-Social ou LGPD), reduzindo o risco de multas e sanções.
Coleta e Análise de Dados (BI)
Automatizar a extração, transformação e carregamento (ETL) de dados para que a inteligência de negócio seja sempre atualizada.
A chave é o Escopo Definido e com Correlação Estratégica. Se um processo é feito apenas uma vez por ano e é complexo de automatizar, o esforço de automação provavelmente não se justificará.
A Pirâmide de Testes na Automação
• Conceito: Explica a importância de priorizar testes rápidos (Unitários) na base e testes lentos (UI) no topo, garantindo que o investimento em automação seja eficiente.
• Valor: Mostra que a automação não é só sobre a ferramenta (Cypress, Selenium), mas sobre a arquitetura de testes.
Métricas de Sucesso da Automação (KPIs)
• Conceito: Detalha como medir o sucesso da automação além da simples contagem de testes.
• Exemplos: Focar em KPIs como Tempo de Execução da Regressão, Cobertura de Testes e Defect Escape Rate (taxa de defeitos que escapam para produção).
O Papel do Profissional de QA na Era da Automação
• Conceito: Discute a evolução do papel do QA de "testador manual" para "engenheiro de qualidade" e "estrategista de automação".
• Valor: Posiciona o QA como um co-piloto do desenvolvimento, focado em prevenir defeitos (Shift-Left) e não apenas em encontrá-los.
A automação é o motor da eficiência moderna, mas seu poder deve ser usado com sabedoria. Ao focar em processos de alta repetição e alto risco, e ao adotar uma abordagem estratégica e inteligente (utilizando IA e métricas claras), as empresas podem garantir que seus recursos de automação se traduzam em crescimento sustentável e inovação contínua.